Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou de 2,3% para 1,3% a projeção de crescimento do setor em 2025, refletindo os efeitos do ciclo prolongado de juros altos — considerado o principal obstáculo pelos empresários do ramo pelo quarto trimestre consecutivo. A Selic, atualmente em 15% ao ano, tem limitado o ritmo das atividades e encarecido o crédito imobiliário, desacelerando tanto o investimento quanto o consumo de materiais.
Mesmo diante desse cenário desafiador, o setor mostra resiliência: o PIB da construção cresceu 1,8% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, e o nível de atividade segue 23% acima do pré-pandemia. Contudo, a desaceleração dos desembolsos da poupança e a alta nos custos de insumos e mão de obra — que subiram 9,88% em 12 meses — têm pressionado as margens das empresas.
Cooperativas de compras: união que gera eficiência e competitividade
Nesse contexto, as cooperativas de compras surgem como uma alternativa prática e eficiente para reduzir custos e aumentar o poder de negociação das construtoras, incorporadoras e varejistas de materiais de construção.
O modelo consiste na formação de grupos empresariais que realizam compras conjuntas de insumos e equipamentos, aproveitando ganhos de escala e condições comerciais mais vantajosas junto a fornecedores. “Em um cenário de juros altos e crédito restrito, a cooperação pode ser a principal ferramenta de sobrevivência e crescimento”, explica Eduardo Porto, presidente da Coopcon-pb
As cooperativas têm potencial para diminuir o impacto da inflação de custos, especialmente em materiais como aço, cimento e derivados de petróleo — itens fortemente influenciados pelas variações do câmbio e das taxas de juros. Além disso, permitem melhor planejamento logístico, reduzem desperdícios e ampliam a previsibilidade financeira.
Crescimento sustentável pela cooperação
Com a pressão dos juros e o desafio de manter a atividade aquecida, o setor da construção civil começa a enxergar na cooperação entre empresas um caminho concreto para ganhar eficiência e garantir sustentabilidade econômica.
A formação de cooperativas de compras pode se consolidar como um novo pilar de competitividade, permitindo que o setor mantenha o crescimento, preserve empregos e enfrente com mais força o ambiente de juros elevados, transformando a crise em oportunidade de inovação e união.